sexta-feira, 28 de agosto de 2009

culturalmente falando...

Gregos Polares

Nossos comparsas do Samba Grego estão na disputa do caneco (e dessa vez é de chopp mesmo): A Melhor Banda é Daqui é o novo concurso da Polar para bandas independentes. Dá uma clicadita aqui pra curtir o video dos guris e aproveita pra votar!!...



Convite do MEU aniversário - 5 anos da CHICA!




É com muita emoção que convido todos vocês pra minha festa de aniversário - à fantasia!! Amigos, festa, boa música e aquela cachacinha de sempre... É nesta sexta lá no Odomodê. Espero todos lá!! bjs, Chica.



512 blogs


Meu povo! Vou dar um toque pros blogs relacionados ao meu lar doce lar - o 512. Tem gastronomia, boemia, arte e cultura em geral, dêem uma olhada aí:

Cozinha 512
Espaço Cultural 512
512 Maneiras


Meninas-veneno

O blog A Chica é testemunha taí pra mostrar que se a noite era uma criança ela cresceu e sabe muito bem o que quer. Com pitadas românticas, nuances sarcásticos e uma linguagem de filme policial as protagonistas A Rosa e Sister M. criam um ambiente bukowisquiano e relatam suas últimas experiências noturnas. Ah, e sempre comigo!! Dêem uma olhada. Bjs, Chica.


Maratona Literária encerra a Bienal do Mercosul


Depois do sucesso das quatro edições, das Minimaratonas na Feira do Livro e da indicação ao Prêmio Fato Literário, a Minimaratona Literária vai marcar presença no encerramento da Bienal do Mercosul - domingo, 29/11 às 17h na Arquibancada da Radiovisual, no Armazém A5 do Cais do Porto. Os participantes realizam a leitura conjunta de obras de Caio Fernando de Abreu, Clarice Lispector e Julio Cortázar, autores referências desta edição da Bienal.

Nos intervalos das leituras, acontecem shows e intervenções artísticas organizados pelo Cabaré do Verbo. Os shows ficam por conta de Cow Bees, Projeto Floco, Fernanda e Grupo e destaque pra nossos amigos do Samba Grego que se apresentam às 18h30. As intervenções artísticas são do artista visual Marcelo Monteiro e do Estúdio de Arte Canhotórium - Arte Aplicada.

Visite a Bienal e participe da Minimaratona. Vamos?!






Toneco da Costa e o Inverno



Toneco da Costa e Thiago Gonçalves
(photo: Pamela Ferrer)

Dias 25 e 26 de novembro tem show de lançamento do trabalho solo do compositor, arranjador e violonista Toneco da Costa - Inverno. O disco de estreia do músico gaúcho com 30 anos de carreira tem direção musical de seu filho, Thiago Gonçalves e no palco, além deles dois, o time não fica pra trás: Giovanni Berti e Fernando do Ó (percussão), Pedrinho Figueiredo (flauta e sax soprano), Luizinho Santos (flauta), Renato Müller (gaita), Celau Moreyra (Violoncelo), Mário Carvalho e Eduardo Dudu Penz (baixo elétrico) José Gonçalves e Luiz Mauro Filho (piano). Os shows que prometem emocionar muito estão marcados para às 21h e o ingresso é (apenas!) R$ 10,00. Bora lá?!



L F Veríssimo no Twitter



O jornalista, escritor, músico, pensador e otras cositas más, Luis Fernando Veríssimo também tem seu cantinho no Twitter. E é essa a dica chica da semana. Sem muitas delongas, vou reproduzir aqui uma crônica que eu acompanhei esses dias. Cliquem lá no twitter do hôme também, não perrDam!

"Console-se: se vc tivesse feito tudo q deu vontade de fazer, na hora em q deu vontade, vc hoje estaria preso, ou gravemente desfigurado.

Civilização é autocontrole.

Só chegamos vivos a este ponto pq resistimos à tentação.

Tentação de enterrar o nariz entre aqueles seios fazendo "ióim, ióim", jogar tudo no 17 ou sair dançando com o PM.

Todo homem é a soma, não das suas decisões mas das suas hesitações, ou do que, pensando melhor, decidiu não fazer.

Nunca lamente o caminho não tomado, ele provavelmente levaria à ruína - ou à fortuna, mas ela não lhe faria bem.

Eu, por exemplo, fiz bem quando resisti ao impulso de fugir de casa para ser aviador.

Poupei-me da frustração de descobrir que eles não aceitavam pilotos de caça com menos de 6 anos de idade.

É verdade que às vezes me pergunto como teria sido se eu não tivesse reprimido o impulso de ir estudar cinema em Londres.

Eu hoje poderia ser, sei lá, um dos melhores lavadores de pratos do Soho.

Agora é tarde, nunca saberei. Mas acho que fiz bem."

(Luis Fernando Veríssimo, no Twitter)

Raul Ellwanger e Zé Caradípia no Renascença


Raul Ellwanger

Terça-feira, dia 10, o projeto da Coordenação de Música da SMC - Sons da Cidade - apresenta Raul Ellwanger relembrando alguns de seus grandes sucessos, como: Pealo de Sangue, Pequeno Exilado (gravado pela Elis) e Samba do Lero, além de uma amostra do novo disco "Cabeça, Corpo, Coração". Dividindo o palco com o mestre Raul outro grande compositor gaúcho, Zé Caradípia, apresenta o trabalho do seu novo DVD "Armadilha Zen". Esse grande encontro acontece no Teatro Renascença, nesta terça, às 20h. O ingresso do Sons da Cidade, como sempre, é um quilo de alimento. Kind of imperdível, não?!.. nos vemos lá, bjos!

Zé Caradípia



Jade Cunha e Hugo Varella na FLIPORTO


Meu querido amigo Hugo Varella realizou um mais que belo trabalho audiovisual com Jade Cunha e a obra está figurando entre as concorrentes do 3º Prêmio Internacional Poesia ao Video, que faz parte da programação da V Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas, o FLIPORTO. Aproveitei pra disponibilizar o video aqui no blog também e o link pra votar. Espero que curtam, bjos.. Chica!





Arte sem rótulo: video + improviso + non-atores






Bienal B de 512 Maneiras



Dia 13/10, terça-feira, inaugura a exposição 512 Maneiras pela Bienal B no Espaço Cultural 512. Além das exposições, esse roteiro cultural também inclui oficinas, mostras, performances e shows. A programação toda está no flyer acima e maiores informações no blog 512 Maneiras - vem pra festa! abs, Chica!



SUPERJAZZBRAS com DJ ClauMon no Espaço Cultural 512




Nesta sexta, dia 09, tem o fino da bossa, do samba, do jazz, do samba-jazz e por aí vai, com DJ ClauMon (projetoitagiba) no 512. O cara bota pra quebrar e bota pra dançar - o espaço é pequeno mas da última vez tava bonito os pés de valsa por lá. Apreciador e criador da boa e velha nova música brasileira, DJ ClauMon faz um set ímpar e de muito bom gosto. Só indo lá pra curtir a finesse. Recado dado, bora lá!



Terça musical em POA




Hoje tem dois ótimos shows aqui na capital: Marcelo Corsetti faz o Sons da Cidade com Roger Canal no Teatro Renascença por 1kg de alimento. E no Túlio Piva, Alexandre Knorre lança o primeiro disco da Misselânea K. às 20h - entrada franca.

Marcelo Corsetti e Roger Canal no Sons da Cidade

Dia 22 de Setembro – Marcelo Corsetti e Roger Canal
Horário: 20h
Local: Teatro Renascença
Entrada: 1kg de alimento não perecível - imperdível, ã?!


Instrumental de primeira qualidade com Nicola Spolidoro




Nicola Spolidoro Quarteto apresenta temas próprios e algumas releituras de outros compositores nesta segunda-feira no Paraphernália (João Alfredo, 425). Por R$ 10,00 você confere o show desse talentoso guitarrista com um time que não fica pra trás:

Nicola Spolidoro - guitarra
Carlos Délia - baixo
Matheus Kléber - teclado
Rafa Marques - bateria

é na segunda, 21h - hasta la vista!


Bienal B em ação!



A Bienal B começa seus trabalhos oficialmente dia 15 de setembro com um coquetel de lançamento no Shopping Moinhos. O evento que já mexeu com as artes e os artistas de Porto Alegre na sua primeira edição volta com suas energias renovadas. Confira o site com tudo que você precisa saber sobre o lado B das artes.



O Dilúvio volta a desaguar em Porto Alegre






Pública mais uma vez no VMB




Os caras da Pública estão concorrendo novamente no VMB. Depois de terem disputado o prêmio de revelação na edição anterior, a banda agora - mais amadurecida - concorre na categoria Rock Alternativo. E tão merecendo, taí o link pra dar o seu voto. Abs!



Com Lu Mineiro tudo se encaixa




Acho que dei umas voltas culturais aqui no blog mas nunca tinha falado de arte de rua. Bom, nada melhor que começar com o pé direito. Lu Mineiro, figurinha já carimbada da Cidade Baixa e das praças e parques de POA é de quem falo agora. Equilibrando talento e simpatia, esse cara já fez muito por aí e promete continuar sua caminhada buscando o melhor pra sua arte. Depois de meses na capital paulista, seus próximos planos apontam Buenos Aires. Ainda bem que ele deu uma passada por aqui antes e pode nos agraciar com alguns momentos especiais, como sua apresentação no 512 - que ainda não tenho os registros, mas vou atualizando aqui. Dêem uma olhada no blog do Lu Mineiro que tá bem bacana - "salve Porto Alegre"!



Paulinho Mineiro no 512




Paulo de Tarso Glanzman, muito mais conhecido como Paulinho Mineiro, apresenta um repertório original dia 02/09 no Espaço Cultural 512. O músico e compositor, além de acompanhar vários artistas e projetos musicais como baixista, tem talento de sobra com as cordas do violão e sua poesia sincera e positiva é outro destaque desse trabalho autoral. 22h estamos por lá, apareçam!



Olá, Chicartoons!






Adeus, Tia Chica! - após o lançamento internacional em Buenos Aires, o coletivo Traço Todas se reúne novamente para lançar sua revista de Histórias em Quadrinhos, Ilustrações e outras artes gráficas aqui no Brasil. Em Porto Alegre, pra ser mais exato. Participaram desta edição: Azeitona, Carlos Soares, Eugênio Neves, Mateus Santolouco, Maumau, Rafael Corrêa, Ruben Castillo e Samanta Flôor. E esses são alguns dos nossos convidados na coluna Chicartoons que está estreando hoje. Aguardem!




SambaRockers




Thiago Correa é um músico diferenciado, um cara que há muito tempo está ligado na movimentação eletrônica e nas novas mídias que ainda estão engatinhando por aqui. Seu primeiro disco, "A Grande Preocupação" foi rescentemente lançado pela inglesa Curv Music e o cara foi dar essa volta em London London. De lá a figura está mandando notícias e atualizando um novo site. E é por isso que estou deixando esse recado aqui: esse site é o SambaRockers. Passem por lá que não tem erro. Bjs!



512 Maneiras




Além de ser a minha "casa" há um bom tempo, o 512 é um espaço cultural completo. Não apenas pela estrutura, o ambiente, a localização, mas, principalmente, pelas pessoas - essa família de amigos-artístas é no mínimo o máximo. O 512 é atelier, é restaurante, é galeria, é bar, é palco. A arte sempre foi o prato principal, mas a boemia também tem a sua dose reservada por ali. E agora esse caldeirão criativo transbordou e, com o belo trabalho de Daliana Mirapalhete e sua tchurma, nasceu o 512 maneiras. Um projeto coletivo cultural de oficinas e exposições que vai movimentar o 512 nos próximos meses. Dêem uma conferida no blog, tá muito bom. E galera, sucesso!!!

Ah! Esse super-projeto também está no twitter!


Morro do Céu. O novo DOC de Gustavo Spolidoro.



Essa semana troquei uma ideia sobre cinema com o premiado diretor Gustavo Spolidoro entre um intervalo e outro da PUC. O cara falou do seu projeto aprovado na quarta edição do DOCTV, que estréia nesta sexta-feira, dia 10 às 22h, na TV Cultura (com reprise na terça às 02h da madruga). Entre outras produções, além de sua visão sobre a sétima arte: as definições, alguns conceitos e o futuro da mesma. Dá um look nesse bate-papo.


Nei Lisboa e o novo universo da música.



Um dos maiores mestres da música popular do nosso estado também está antenado no mais novo universo de produção, distribuição e troca de músicas: a internet. O mais-do-que-simpático Nei Lisboa falou comigo sobre tudo isso e mais um pouco e esse bate papo você pode ver AQUI.

(Ah! os créditos da foto são da Janisss, menos conhecida como Janaina Dalla Vecchia).



Val Payeras: emoção e originalidade em cada traço.




Minha grande amiga Val Payeras é artista plástica e tem um dom especial que podemos notar facilmente nos seu traço original e supercaracterístico. Seus desenhos são preto no branco em todos os sentidos. A moça está divulgando algumas obras no seu mais-novo-blog, inclusive esta que vocês podem ver logo acima. Aliás, esse desenho é o prêmio de uma rifa que está rolando no Espaço Cultural 512 - são apenassss R$ 2,00 cada número que você pode tirar lá mesmo. O sorteio vai acontecer no sábado, dia 11 de julho. Dêem uma olhada nos trabalhos dessa figura (essa aí vai longeee!). Bjos!



Fernando Anitelli no I fórum MPB



Mais um ativista-figurão do Música Para Baixar trocou uma ideia comigo sobre música livre, downloads, gravadoras, direito autoral e coisas do gênero. Fernando Anitelli, o gran pólen do Teatro Mágico, agora também no Chicultura - leia.


Entrevistas, textos e assemelhados - Chica n'arte!


DOCTV IV. Carolina Berger não parou no tempo.




O documentário gaúcho “Paragem no Tempo” foi um dos contemplados do DOCTV deste ano e trata de fragmentos da memória e vestígios materiais que revelam a relação entre moradores da região e o passado de uma das maiores jazidas de cobre do mundo.
Co-produzido pela Milimmetros Produções e TV Educativa do Rio Grande do Sul, a película tem autoria e direção de Carolina Berger. E foi com ela que eu falei. Dá uma olhada na nossa conversa clicando aqui.


Brasil x Argentina na Lito



No dia 15 de maio fui à antiga prefeitura prestigiar a abertura de uma bela exposição de litografia num dos salões principais. A Mostra de Litogravura Porto Alegre / Bueno Aires expõe a produção artística atual de artistas gaúchos e argentinos, como: Jane Machado, Helena Kanaan, Rafael Gil, Miriam Tolpolar, Nestor Goyanes, Lídia Paladino, Marta Loguercio, Augustin Blanco, Lorena Pradal, Paulo Chimendes, Matias Amici e Fernanda Soares. A Mostra fica em Porto Alegre até 27 de junho e em setembro será exposta em Buenos Aires.

Mostra de Litogravura Porto Alegre / Bueno Aires
Paço Municipal, na rua Montevidéu, 10 – Centro.
Até dia 27/06 – Terça a sábado.
Horário: das 9h às 14h e das 14h às 18h e sábados, das 13h às 17h.
Entrada Franca

Tive a oportunidade de conhecer e trocar umas palavras com a artista e organizadora desse evento, Marta Loguercio. E essas palavras estão aqui.


Boteco classe A na Cidade Baixa




O Matita Perê é um boteco diferenciado, aconchegante e muito agradável. E não podia ser diferente. Depois do sucesso de 5 anos do Bongô Bar, os sócios Sandro Boschetti e Filipe Stella investiram na criatividade e nos detalhes para compor um ambiente de um boteco que é, ao mesmo tempo, clássico e original. E conseguiram.

Eu estava na inauguração do boteco e falei com um dos sócios, Sandro Boschetti. Dá uma olhada na entrevista.


Eu e você, você e eu... nós quatro!

galera! para tirar dúvidas, dar sugestões, trocar uma ideia, xingar, confessar uns pecados e outras cositas más, meu contato é chicultura@gmail.com!

ah! sigam as notícias do blog (entre outras divagações) no twitter...

gracias!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Chicarquivos


Felipe Chagas no 512



Passa lá no bar pra conferir o show dessa figura e aproveite pra ouvir um pouco do som no myspace do Samba Grego e do próprio Felipe. O menino é talentoso, tá valendo.

07 de outubro
João Alfredo, 512
couvert R$ 3,00



Semana de Festival de Música em POA




De quinta a domingo boa parte da classe musical de Porto Alegre vai marcar presença no Túlio Piva onde acontece o 12º Festival de Música da capital gaúcha. São 10 concorrentes por dia, sendo que no sábado Gelson Oliveira faz seu show e domingo, depois das 12 grandes finalistas, quem dá esse tom é a Produto Nacional. Veja quem foram as 30 selecionadas pra essa edição do Festival e passe lá pra dar uma olhada, sempre a partir das 20h - a entrada é franca!



Lu Barros abre a edição especial do Vaia no
Arena




Nesta quinta, dia 15 de outubro, o projeto de música autoral do jornal Vaia no Teatro de Arena recebe Cláudio Nilson, Ricardo Pacheco e Melopéia de Arame - e quem faz o pocket mais do que especial é minha querida Lu Barros mostrando novas inspirações e composições acompanhada, como sempre, por músicos muito talentosos. É na quinta, 20h e a entrada é franca!



Agenda musical da semana em Porto Alegre


Começamos com a galera do Roda Viva + Tribo Brasil + Carne de Panela, apresentando o já famoso espetáculo O Maestro, O Malandro e O Poeta no Theatro São Pedro dias 03 e 04 de novembro, terça e quarta, às 20h. Ingressos no local pelos valores: R$ 10 galerias, R$ 20 camarotes laterias, R$ 25 camarotes centrais e R$ 30 platéia - lembrando que essa edição dos shows tem apoio da Chica e do 512... ;)



Na quinta-feira pelo UniMúsica, tradicional projeto da Difusão Cultural da UFRGS, teremos o show do Kassin +2 - a banda do músico, instrumentista e produtor Kassin com seus parceiros Domenico Lancellotti e Moreno Veloso. Como sempre, o ingresso é um kg de alimento e a troca começa nesta terça.



E pra fechar a semana de som vai rolar uma apresentação dos meninos do Samba Grego no charmoso Paná Paná (Demétrio Ribeiro com Vasco Alves - altos da Bronze). O repertório inclui novas canções da dupla de compositores Felipe Chagas e Rodolpho Bittencourt - dia 06, sexta, 21h, couvert: R$ 3,00. Esses aí sim, tem apoio da Chica sempre! hahah.. bora lá?!

SHOW DO SAMBA GREGO NO PANÁ PANÁ ADIADO PRA PRÓXIMA SEXTA, DIA 13.




Se for na Grécia o samba é Zeus!


Terça e quarta que vem o Teatro de Arena recebe os primeiros shows de um projeto que promete mostrar novas concepções e nuances dentro do ritmo mais tradicional do país: o samba. As músicas de Felipe Chagas e as letras de Rodolpho Bittencourt não escondem a influência de grandes, médios e pequenos nomes do samba e dos clássicos da MPB, mas chegam com uma energia renovada, toques contemporâneos e uma sensibilidade quase irônica. Nos dias 25 e 26 a dupla de compositores será acompanhada de Rafael Marques (bateria), Paulo "Mineiro" Glanzmann (baixo), Ronald Franco Filho (sopros e percussão) e ainda terá as participações especiais de Moreno Morais e Luiza Caspary. Vale a pena dar uma olhada no trabalho dessa galera que tá fazendo um Samba Grego! Ingressos antecipados estão sendo vendidos no 512 - Cozinha 512 e Espaço Cultural 512. Taí o recado... bjos!



Dias 25 e 26 de agosto (terça e quarta)
Ingressos: R$ 10,00 - 50% para estudantes e classe artística
Dê uma ouvida no som no myspace do Samba Grego!



Filme que inspirou último Tarantino na P.F. Gastal




Sexta-feira, 04 de setembro às 19h30 a Sala P.F. Gastal exibe Assalto no Trem Blindado. O filme de Enzo Castellari foi refilmado por Tarantino e já é sucesso de bilheteria nos Estados Unidos. Vamos?!


PÚBLICA no Tag Live Sessions


Dia 23 acontece a primeira edição do TAG LIVE SESSIONS, com o show dos meus amigos da Pública no Live Sport Pub. “British Rock” é o tema que inaugura a festa-projeto, que tem promoção do Facool.net e da Rádio Ipanema. Os caras ganharam três Açorianos ano passado, incluindo Disco do Ano. Agora estão prestes a lançar o clipe da música Casa Abandonada, que eu já aproveitei e botei aqui também. Tá concorrendo com o Funkalister mas é só na data mesmo, são belezas muy diferentes. Tô na dúvida, mas qualquer um é somzera!



Tag Live Sessions com a banda Pública.
Ingressos: R$ 10,00 até meia-noite e R$ 12,00 depois.
Live Sport Pub (Rua Doutor Barcelos, 435 – Tristeza), a partir das 22h.


FUNKALISTER no Ocidente Acústico

Próxima quinta, dia 23, tem Funkalister no Ocidente. Na minha humilde opinião a banda é uma das melhores do cenário musical da nossa city. Vale muito a pena dar uma conferida nesse show - mais informações da banda e do show, aqui.



"Ocidente Acústico" - Edição 517
Quinta-feira, 23 de julho de 2009 - 22 horas
Ingressos a R$ 15,00.
Bar Ocidente - João Telles esq. Osvaldo Aranha



Vaia no Arena

Hoje é dia de apresentação no projeto do Jornal Vaia que acontece no Teatro de Arena. Há mais de três anos, todo mês o guerreiro Mozart ergue a bandeira da música autoral e produz uma apresentação de um compositor da nossa cena musical com abertura de outro emergente. Sempre vale a pena dar uma passada por lá, e hoje ainda mais, com a participação de Orestes Dornelles. Visite o blog do Arena e leia mais.

Música no Cinema

Outra boa dica do dia é pegar um cineminha lá no centro. Estreiam hoje no Cine Santander dois filmes "musicais", cada um falando de um grande artísta brasileiro. Loki - Arnaldo Baptista, de Paulo Fontenelle às 15h e Diário de Naná, de Paschoal Samora às 17h30. Mais informações sobre os filmes e a programação completa, aqui.






O Festival de Inverno, realizado pela Prefeitura de Porto Alegre, está se superando a cada ano. Dessa vez tem muita coisa boa novamente, incluvise alguns espetáculos com entrada franca (como Pública e Richard Serraria com a Bataclã FC). Era só pra dá esse toque mesmo, confiram a programação no site da SMC. Beijos!


Marcelo Cougo fala sobre cultura digitalizada, divulgação de bandas na internet e a organização do I fórum MPB.


Minutos antes do show da Bataclã F.C. no Teatro CIEE, na primeira noite de shows do Fórum MPB – Música Para Baixar, eu falei com Marcelo Cougo, que junto com Everton Rodrigues e Richard Serraria, é um dos organizadores do evento. Mesmo no camarim, o papo era internet e música (para baixar). Confere aí.

Contos de Nova York: cinema americano em junho

A Sala Redenção em seu próximo ciclo de filmes aposta em marcos na história do cinema e também em títulos menos conhecidos. A partir de primeiro de junho e durante todo o mês a Sala oferece a oportunidade de um passeio em obras de Francis Ford Coppola, Martin Scorsese e Woody Allen.

Entrei em contato com a coordenadora e curadora da Sala Redenção, Tânia Cardoso de Cardoso, pra bater um papo sobre a mostra. Dá uma olhada.

Confira a programação em no site da Difusão Cultural.


O Palco se foi, mas o Giratório continua

A Vida Sexual dos Macacos foi uma das peças que vi no Palco Giratório deste ano. O Festival já acabou, mas o pessoal do grupo Teatro Sarcáustico está por aí. E comemorando 5 anos de estrada. Chega aí.

Quarta Dose - Arquivo

A Quarta Dose dessa semana chegou na quinta. Allan Dias Castro dá o seu recado e deixa um ciao fotografando momentos:



Raval – Barcelona 2009 Foto de Rafael Andrade


Até breve.

Existem pessoas que você nunca mais vai ver. Existem lugares em que você nunca mais vai estar. Por mais que volte a ver ou estar, jamais será da mesma maneira. E é inevitável: o tempo sempre vai se encarregar de transformar a saudade em mera lembrança. Mas quando você deixa um pouco de si, vivendo intensamente o agora, inconscientemente vai levá-lo consigo. É como se cada lugar ou pessoa que fez diferença em sua vida, deixasse um registro, uma fotografia de seu brilho natural - nem sempre visível, mas sempre presente. Basta que você consiga percebê-lo, e com o tempo, terá um álbum de estrelas.

Chegou a hora de me despedir das doses aqui no Chicultura. Quando você estiver lendo o poema abaixo, provavelmente eu já estarei a caminho de Santiago de Compostela.

Assim vou encerrar minha viagem, certamente levando meu álbum gravado na memória. Por ter vivido intensamente cada momento, lembrarei de muitas fotos em que apareço sorrindo.

Obrigado pela companhia, e até breve.


Álbum de estrelas

Toda foto é um adeus transformado em até breve

Pois não há tempo que leve

Este eterno nunca mais

Como estrelas que vão pro céu quando morrem a cada dia

Em um ciclo de nostalgia

À noite tornam-se imortais

Se a saudade é a lembrança que está presa na ampulheta

A cada instante obsoleta

E o tempo insiste em esquecê-la

Eu procuro sempre o brilho nas pessoas ou lugares

E pra que nada nos separe

Fotografo sua estrela

- comentem os posts do Allan lá no blog dessa figura, bjos!


E veio ele com mais uma: Allan Dias Castro e a QUARTA DOSE.

Cultura Futebol Clube

O Quarta Dose dessa semana é um desabafo. Isso, pede mais uma Chica no balcão que o papo é sério. Antes de começar meu curso na Escola de Escritores aqui na Espanha, resolvi fazer um intensivo de espanhol na Universidade de Barcelona. Primeiro dia, aquele clima de colégio, todos dizendo seu nome e de onde vieram. Até aí tranquilo, até porque meu nome, em espanhol, continua sendo o mesmo. E Brasil, todo mundo conhece. E é exatamente esse o problema, o Brasil que o mundo conhece. Depois da apresentação individual, o grupo formado por muitos americanos, dois japoneses, um grego, um francês e uma italiana, dava o seu depoimento a respeito do país de origem de cada colega, buscando um intercâmbio cultural. A nossa referência para os estrangeiros foi goleada: bunda e futebol. Tradução: vivemos no país das peladas. E a cultura? Enquanto a ignorância for a dona da bola, ela fica pra escanteio.


A música a seguir é para lavar a alma de todos aqueles que buscam na arte a sua forma de protesto contra a apatia e o conformismo, e que acreditam que quando a educação e a cultura forem realmente valorizadas, seremos mais do que itinerantes embaixadores de embaixadinhas pelo mundo. Salve!


A Grande Preocupação

Thiago Corrêa / Allan Dias Castro


Falando nisso, amanhã o Thiago vai abrir o show do Clube do Balanço no Opinião. Uma ótima dose de sambalanço. Tá aí a dica... beijo, Chica!


Quarta Dose - por Allan Dias Castro



Feliz, a guitarra chorou.

Pub Inglês, cachaça brasileira, pessoas do mundo inteiro falando a mesma língua: música. Foi neste cenário, em meio a músicos atentos a cada nota, e elegantes senhores de terno e chapéu, que vi Dílson Laguna tocar guitarra. Eu já tinha ouvido seus solos em algumas músicas do Thiago Corrêa, mas ao vivo foi a primeira vez. O que vi não foi apenas execução perfeita, mas sim, sinceridade e paixão pelo que se faz. Essa é a diferença entre viver de música e fazer da música a sua vida. Assim, os músicos foram à loucura, os senhores tiraram o chapéu, e feliz, a guitarra chorou.

Nas seguintes linhas tento descrever o sentimento:


De nascença

Com ela eu falo a língua do mundo
Sem precisar de uma palavra sequer
Assim, ela é a voz do seu eu mais profundo
Pois não é só o que você faz
Mas te faz ser o que você é

E não adianta buscar na luz do holofote
Ela está no brilho do olho
Essa é a diferença
Não se trata de escolha, nem mesmo de sorte
Música não é tatuagem
É de nascença


QUARTA DOSE

O rapaz tá inspirado pela arte e pela zoropa toda. Aí vai mais uma DOSE, por Allan Dias Castro (sempre ele).

A arte é livre. E ponto.

De Londres para Barcelona. Da Terra da Rainha para a cidade onde a arte reina pelas ruas, parques e museus. Entrando no clima, fui visitar a Fundação Miró, e além da exposição Miró / Dupin - Arte i poesia - onde pude ver pinturas do artista espanhol sobre a inspiração do poeta francês Jacques Dupin, destaco também uma obra que tentarei, creio que sem muitas dificuldades, descrever a seguir: uma gigantesca tela branca com apenas um ponto. Não, eu não estava com doses a mais de Chica na cabeça, era isso mesmo. Apenas um singelo ponto, e é claro, a valiosa assinatura de Miró. O que ele quis dizer com isso? Graças ao fone guia descobri que não se tratava de uma obra de Miró aos 3 anos de idade (como pensei a princípio), mas sim, de uma manifestação a favor da quebra de padrões estéticos ou regras em relação à arte. Resumindo, a arte é livre. E ponto.

Imediatamente lembrei de um texto meu que fala exatamente sobre a liberdade e alcance da arte. Assim que pude entrei em contato com o Pirecco, o grande nome da nova geração de artistas, mas que infelizmente o Brasil vai perder para o Canadá. O cara ta indo no próximo mês, e para minha sorte arrumou um tempo para dar vida ao referido texto através do seu talento com a pintura, iniciando assim, nossa parceria. Acompanhe abaixo o que escrevi, e a seguir o trabalho feito por Pirecco com canetas de tinta acrílica sobre a tela de 50cm x 70cm. Un fuerte abrazo y hasta pronto!


L`art Pour Tous

A arte é plena porque ganha corpo através do manifesto da alma.

E a alma de um artista não se restringe à sua imensidão e transborda através da inspiração.

A arte é pura porque vem da mistura. De idéias, de estilos, de sentimentos, misturas de vazio. A arte é protesto porque não se cala. E por isso é a voz da liberdade.

Uma vez livre, a arte é para todos.




Quarta Dose

por Allan Dias Castro



A voz do mundo em alto e bom som.

Sigo em Barcelona buscando doses de cultura para o blog da Chica, e o show do Orishas me pareceu um copo cheio. Não deu outra, o trio cubano mostrou porque pessoas de todas as partes cantam, em alto e bom som, toda veracidade de estrofes como “Tengo un hermano peruano, otro chicano, un chileno, un colombiano, un chino, un afroamericano”.
E é sobre esta pluralidade cultural que eu escrevo hoje. Esqueça aquele sujeito emburrado que te negou o visto dos EUA. Ignore a cara feia e as perguntas idiotas pelos aeroportos do mundo. Ninguém pode barrar uma boa música por falta de passaporte. A arte é livre para transitar por onde quer que existam pessoas de mentes abertas para recebê-la. E o melhor: ninguém paga multa por excesso de bagagem cultural.

Aí segue minha contribuição em forma de versos:


Todo mundo

Todo mundo tem um pouco do mundo todo
Todo mundo tem um pouco do mundo todo

Aquela japonesa tem os olhos negros
O filho do africano tem olhos puxados
Um norte americano de cabelos vermelhos
Leva em sua pele branca um Maori tatuado

Um índio brasileiro, tribo tupiniquim
Conta todas suas piadas em português
A loira europeia foi falar mandarim
E um cara lá na China aprendeu beijo francês

Todo mundo tem um pouco do mundo todo
Todo mundo tem um pouco do mundo todo

Deixe seu comentário aqui e no blog do Allan também, vale a pena dar uma olhada lá também! Até a próxima dose... bjos, Chica!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Tapa na Orelha - Arquivo

TAPA NA ORELHA

dj basket sound system

editor sonoro de O DILÚVIO Space Radio

Acabo de conquistar dois espaços ao mesmo tempo. Uma coluna no caderno dominical +ou- e outra no blog Chicultura, também semanal. Minha função é fazer o que mais curto: ouvir música e indicar os caminhos pra tomar um bom tapa sonoro na sua orelha, prezado cágado ou prezada pomba.

E pra de começo de conversa, quero indicar o site Jamendo, que tem um acervo de mais de 20 mil álbuns disponibilizados em Creative Commons por artistas e bandas de todo o mundo. Entre tantas coisas, encontrei disponível um álbum Latino Tracks vol. 1, do Flu . Uma licença em CC é bom pra quem baixa tanto quanto pro artista. Pra quem curte pesquisar, ir a procura de novos sons, entre no site e se divirta.



Disco novo na parada. A banda Luisa Mandou um Beijo tá com novo trabalho. Não é muito a minha praia, mas talvez você possa curtir. É um rock levado. Mas a banda é boa, as músicas tem corpo e está bem produzido. É só uma questão de onda. Saiba mais no myspace da banda. Vale por "A Odalisca e o Pirata".

Sensacional é como defino a banda Instituto Mexicano del Sonido (ou Mexican Institut of Sound). Os chicanos mandam bem na explosão de latinidades e eletrônica. O verdadeiro tapa na orelha pra fazer jus ao nome da coluna. Procurem no oráculo pelo novíssimo CD dos moleques, Soy Sauce. Os porros caribenhos fizeram efeito na aparelhagem. Viaje ao som de "Sinfonia Agridulce". De curiosos títulos, "White Stripes" e "Karate Kid 2". É video-game com salsa. Acesse o myspace do MIS.



Quem lança EP e está perto de acabar o segundo disco é CéU. O EP, Cangote, tem apenas quatro músicas e já dá uma breve noção do que pode ser "Vagarosa", novo disco da cantora e previsto pra ser lançado em breve. Tá menos Beto Villares e mais Sonantes. Não que isso seja melhor ou pior. Mas a característica samba cede espaço a etiqueta jamaica, embora rótulos nem sempre são bons. Quer saber mais? Ouça a página de Céu no Myspace.




creative commons - alguns direitos reservados
Você pode:
• copiar, distribuir, exibir e executar a obra
• criar obras derivadas

Sob as seguintes condições:
• Atribuição. Você deve dar crédito ao autor original, da forma especificada pelo autor ou licenciante.
• Compartilhamento pela mesma Licença. Se você alterar, transformar, ou criar outra obra com base nesta, você somente poderá distribuir a obra resultante sob uma licença idêntica a esta.
• Para cada novo uso ou distribuição, você deve deixar claro para outros os termos da licença desta obra.
• Qualquer uma destas condições podem ser renunciadas, desde que Você obtenha permissão do autor.


TAPA NA ORELHA

dj basket sound system

editor sonoro de O DILÚVIO Space Radio

Na semana em que Michael Jackson nos deu goodbye, não deixe de ouvir O DILÚVIO Space Radio. Fiz uma singela homenagem ao rei, com versões originais, remix, mashups, acústicos e curiosidades.



Outra novidade da porra é o novo disco do genial De Leve. O álbum, que se chama De Love, está menos funk do que o anterior, o já clássico Manifesto 1/2 171. A grande faixa, por enquanto, pois nossos ouvidos mudam de opinião a toda hora, é o dueto de De Leve com Totonho (dos Cabra) em "Pra ser feliz". A letra é surreal: "eu tinha tudo pra ser feliz/ segundo grau completo/ curso de datilografia/ uma passagem de ônibus". Você pode baixar o disco aqui e observar o comentário do próprio De Leve: "GOSTOU DO DISCO? ENTÃO PORQUE NAO COMPRA-LO POR R$5 CINCO REAIS E ME APOIAR PARA FUTUROS TRABALHOS?" De Leve não é contra download, mas ele tem razão. Baixou, gostou e tem dinheiro, então compre mesmo.



Pra quem curte mashups, é legal conferir o terceiro volume do povo do Hood, os ladrões de direitos autorais. São mais de 30 duelos, entre eles Estelle vs. The Ting Things, Fleetwood Mac vs. Daft Punk, T-Pain vs. TV On The Radio, Jay-Z vs. Xiu-Xiu e Lil Kim vs. MGMT. Imperdível. Acesse o site e baixe logo.

Pra quem curte música brasileira, vale uma dica quente. Meus amigos Caio Jobim e Pablo Francischelli produziram e dirigiram um programa que está em cartaz no Canal Brasil. "Pelas Tabelas" traz a cada programa dois artistas, que tocam e falam de suas carreiras. Eu ainda não tinha assistido ao programa, mas tive a oportunidade de ver ao lado deles nesta curta passagem de ambos pelo sul, na baia do De Nardi. E tá super bem feito, rico em detalhes e sem pressa. Vi dois programas: Siba e Roberto Correa, e Yamandu Costa e Hamilton de Holanda. Embora não conhecesse o suficiente de Roberto e de Hamilton, pude saber um pouco mais. Mesmo assim não o necessário pra considera-los gênios como o Siba e o Yamandu. Mas aí é aquela cousa: "ah, eu escolheria outros, ah, eu filmaria assim". Certo, talvez eu também, mas não é por aí que você deveria fazer uma crítica. Eu diria então: "ah, se eu fosse o Cabral teria vindo de avião". Pelas Tabelas é um ótimo panorama da música deste país. Assista. Canal Brasil, toda sexta, 21h, com reprise aos domingos, 12h.




creative commons - alguns direitos reservados
Você pode:
• copiar, distribuir, exibir e executar a obra
• criar obras derivadas

Sob as seguintes condições:
• Atribuição. Você deve dar crédito ao autor original, da forma especificada pelo autor ou licenciante.
• Compartilhamento pela mesma Licença. Se você alterar, transformar, ou criar outra obra com base nesta, você somente poderá distribuir a obra resultante sob uma licença idêntica a esta.
• Para cada novo uso ou distribuição, você deve deixar claro para outros os termos da licença desta obra.
• Qualquer uma destas condições podem ser renunciadas, desde que Você obtenha permissão do autor.


TAPA NA ORELHA


dj basket sound system

editor sonoro de O DILÚVIO Space Radio



Tonho Crocco ta com EP na área. Teto Solar, primeiro trabalho solo do cantor. O disco é em formato SMD, uma tecnologia criada pelo sertanejo Ralph, que só pode ser vendido ao público por cinco reais, pra concorrer com o preço dos piratas. “Abre-Alas (O Carro Destemido)”, não por acaso, inicia trazendo Nova York na mala, cidade por onde transitou durante alguns meses. É funk groove em clima de seriado policial dos anos 70 que eu assistia na sessão da tarde dos anos 80. O Brasil dá um pouco de tempero na primeira faixa e toma conta do swing na segunda, “Teto Solar”, um samba-rock pegado na batida e no sopro, lembrando os bons balanços da Ultramen e dos próprios shows de Tonho com a Brazilian Sound Machine. “Quadratura” não deixa o pique cair, e as influências brasileiras e estrangeiras se confundem, entre guitarra e cuíca. O samba enfim faz solo em “Árida Saudade”, lirismo de harmonia e poesia, um choro emocionado que contrasta com o Open’s Deep Mix de “Abre-Alas”, que encerra o EP de quase 25 minutos de maneira triunfal, abrindo caminho pro eletrônico. Tonho Crocco é um dos melhores cantores do país. Teto Solar é o grande álbum curto de 2009!


Muito Obrigado Axé”, faixa do novo disco da Ivete Sangalo, Pode Entrar, é a música que recomendo ouvir. A rainha do dendê recebe Maria Bethânia em sua casa e divide com ela os vocais. A Bahia de todos os santos está ali, na negritude religiosa com a simpatia baiana. A composição de Carlinhos Brown é um samba leve com energia positiva: “joga as armas pra lá e faz a festa”. Impossível não se contagiar, pois “isso é pra te levar na fé/ Deus é brasileiro/ muito obrigado axé”. As duas melhores cantoras brasileiras do momento, divinamente juntas. Dorival Caymmi com certeza daria a benção!



Entre audições e leituras musicais, acabo por saber que mashups já foi traduzido pra “bastard pop”. Os direitos autorais violentamente violados em nome da arte do remix. Pois o pessoal do Canhotagem juntou uma série de ilegalidades e fez uma colagem bem legal. Até agora já saíram três coletâneas devidamente batizadas de Os Batardos Populares. Reúne mágicas combinações de Afrika Bambaata vs. Jorge Ben, Pixies vs. Run DMC, Nine Inch Nails vs. Kool and The Gang, Vegomatic vs. The Clash, White Stripes vs. Public Enemy, M.I.A. vs. Le Peuple De L’herbe, Police vs. Klaxons, Soundgarden vs. Deee-Lite, Red Hot Chili Peppers vs. Ting Tings, só pra citar as ótimas entre outras tantas boas.

>>>volume 03<<< >>>volume 02<<< >>>volume 01<<< creative commons - alguns direitos reservados

Você pode:
• copiar, distribuir, exibir e executar a obra
• criar obras derivadas

Sob as seguintes condições:
• Atribuição. Você deve dar crédito ao autor original, da forma especificada pelo autor ou licenciante.
• Compartilhamento pela mesma Licença. Se você alterar, transformar, ou criar outra obra com base nesta, você somente poderá distribuir a obra resultante sob uma licença idêntica a esta.
• Para cada novo uso ou distribuição, você deve deixar claro para outros os termos da licença desta obra.
• Qualquer uma destas condições podem ser renunciadas, desde que Você obtenha permissão do autor.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Entrevista com Gustavo Spolidoro




Chica – Pra começar, um breve currículo. Gustavo Spolidoro: professor do curso de cinema aqui da PUC, produtor independente? Como que tu se creditaria?

Gustavo – É, geralmente eu boto isso: diretor cinematográfico, produtor, professor de cinema da PUC e coordenador de curadoria do Cine Esquema Novo. Mais ou menos esse é o resumo.

Chica – Dentro do projeto do DOCTV – com a chamada “quando a realidade parece ficção, é hora de fazer documentário”. Porque tu escolheu essa história?

Gustavo – Eu achei interessante essa coisa dos caras falarem “quando a realidade vira ficção tá na hora de fazer documentário” porque isso dava a liberdade que eu pensava. Porque quando se fala em documentário já é uma coisa mais quadrada, tipo aquela coisa: depoimento, imagem, nananã. E aí quando eu olhei aquilo ali eu pensei: olha! De repente tem chance de fazer um projeto diferenciado, que era o que eu queria fazer que era um projeto observacional. Já tinha essa ideia de passar um tempo com os caras morando em Cotiporã e vivendo o dia a dia da gurizada e tal. Minha avó é de Cotiporã, eu fui pra lá desde que eu nasci. No mínimo uma vez por ano a gente ia pra lá, geralmente na páscoa com toda a família, às vezes amigos. Até hoje volta e meia vai algum amigo e tal. E eu sempre curti a cidade, achei tudo muito bonito e é, realmente, muito bonito. Um monte de cachoeira pra tudo que é lado, caverna, passeios incríveis. Aí tu vai na casa dos caras lá e compra salame, compra queijo, compra copa, todo mundo te recebe muito bem. E eu sempre tive uns amigos, que eu sempre tinha desde a infância, uma gurizada. E teve um ano, lá por 90, que essa gurizada virou adolescente de repente. Viraram adolescente e tavam enlouquecidos, tava uma coisa de descobertas mesmo, todo mundo, aquela coisa. E eu vindo da cidade me achando: “ah! Sou da capital”, então imagina, vou chegar lá o super moderno, super cabeça aberta. E chego lá e foi justamente o contrário. Foi aquela gurizada naquele momento que me ensinou muita coisa. Eu sempre pensei talvez eu até faça cinema ou faça cinema da forma como eu faço ou que eu quero fazer, talvez muito por causa do que rolou naquele período lá. Que foi o fato de que aquela gurizada me fez perder o preconceito sobre um monte de coisa. Descobri outras histórias, abri minha cabeça prum monte de coisa e de repente aí é um pouco do conceito que eu tenho sobre cinema. Porque eu penso que o cinema é uma coisa livre. Não fixo na questão do documentário, pra mim não existe isso. Eu acho que o cinema é muito mais do que documentário, ficção, experimental ou animação. É muito mais do que comédia, drama, terror e não sei o quê. É muito mais do que uma comédia dramática ou uma comédia de costumes. Subs-subs-subs gêneros. E às vezes as pessoas perguntam: “qual é o gênero do teu filme?”. E é bizarro isso, porque às vezes tu vai pra outro país e os caras querem saber o gênero, tu tem que ter um gênero. Tchê! Eu não consigo trabalhar com gênero. Nem com gênero nem com faixa etária. Não consigo dizer ‘o meu filme é pra tal público’. Eu não sei, porque eu sô interessado em todos os tipos de filme. Eu com 15 anos via tudo que é tipo de filme já. Não importa o que é, porque eu gosto de cinema na real. Então eu tenho uma dificuldade imensa de dizer que tipo de filme é. E quando começou esse papo de “quando a realidade parece ficção” e tal, eu pensei: vou fazer uma outra história, fazer um filme que vai por outros caminhos, que é um filme feito por uma única pessoa, tentar fazer algo diferente. E aí legal, ganhou lá, foi aceito. E originalmente eu ia pra Cotiporã pra descobrir cinco adolescentes, essa era a ideia original.

Chica – Já tinha o projeto do Círculo, que é o projeto do longa de ficção?

Gustavo – Ah, então. Legal que tu falou isso, porque isso vem um pouco antes do encaminhamento do filme. Não me lembro qual foi a ideia que surgiu primeiro, se era a ideia de fazer um documentário e aí fazer uma ficção ou o contrário. Sei que logo em seguida já surgiu a ideia de fazer um projeto que pudessem ser dois filmes, que um fosse um documentário e outro uma ficção e que os dois fossem parecidos na maneira que fossem feitos. Porque de certa forma isso colocaria em xeque esses gêneros que a gente tava falando. Provavelmente se eu fizer o Círculo, que espero que faça, vai ser muito parecido. Provavelmente vou trabalhar com outros tipos de jovens e não com jovens da comunidade mesmo até porque envolve questões mais delicadas, questões sexuais, questões com a igreja. E pegar pessoas de verdade – que eu acho que é a única diferença entre o documentário e a ficção, isso foi até o João Moreira Salles que falou um dia que eu questionei ele sobre isso. Então a ideia é pegar a gurizada da região, mas pra viver personagens. Pra viver mesmo, morar com os caras lá, ficar morando numa casa com uns caras como se fossem os pais deles e o filme vai surgir muito em cima disso.

Chica – Sobre o Círculo, essas questões sexuais e da igreja, são baseadas em alguma realidade?

Gustavo – Sim, sim. O Círculo é totalmente a minha adolescência lá, as minhas descobertas. Mas não só lá em Cotiporã, eu peguei várias coisas autorais e botei...

Chica – Mas tinha o toque de recolher às 22h?

Gustavo – Sim, sim. Na época tinha. Não era um toque, não tocava sirene nem nada, mas fechavam os bares, não podia ter festa nem nada. Era muito imposto pela igreja e tal. Claro que na hora que tu vai escrever um roteiro tu vai muito além né, tu ultrapassa tudo isso. E no documentário também. Tem uma cena lá que os caras gritaram por causa de um abelheiro e o contexto que eu botei no filme foi por causa do morcego. O morcego tinha sido o outro, foram dois momentos de conflito dentro de uma casa abandonada: as abelhas e os morcegos. Só que se eu botasse os dois separados eles iam ficar insuficientes. Então eu preferi botar a questão do morcego. Eu não, o Bruno Carboni, que é o montador do filme. E isso tava bem claro pros atores que aconteceria. Eu não tô preocupado em contar a verdade, não é isso que me preocupa. Fazer as pessoas acreditarem naquilo como uma verdade fechada. Eu quero que elas acreditem, mas quero que acreditem a partir da viagem delas. E aí eu construo meu filme e no final tudo é ficção. É documentário, mas a maneira que a gente montou o filme... A gente constrói a história do jeito que a gente quer, sem nenhum pudor. Eu sempre defendi e falo pros meus alunos: documentário tem que ser parcial. Sou totalmente contra documentários imparciais, isso aí deixa pra reportagem de televisão. Tu tem que ir lá e mostrar tua teoria mesmo que ela seja a mais esdrúxula do mundo e ninguém acredite. O Michel Moore faz isso direto e as pessoas adoram. Então sempre numa conversa com uma pessoa tu impõe ou tenta fazer com que a pessoa acredite no teu ponto de vista, por que no cinema não vão fazer isso? Se eu defendo um cinema livre.


Chica - No início o projeto se chamava “Monte Vêneto” e tu concluiu ele como “Morro do Céu”. O que te motivou a fazer essas mudanças?



Tu também é curador da mostra Cine Esquema Novo que acontece em outubro, né? O que tu já pode adiantar das novidades deste ano?

Sim, as inscrições terminaram semana passada, dia 3 de julho. A gente teve cerca de 790 inscritos, sendo 54 longas... não sei bem porque a gente ainda está fazendo o levantamento... mas foi mais ou menos isso.
Bom, o Festival Cine Esquema Novo é de 17 a 24 de outubro na Usina do Gasômetro, Santander e CineBancários... A gente vai fazer um seminário... A gente quer fazer um lance também que a maioria dos festivais não fazem e a gente sempre se pergunta “Porque?”... tipo, um cara é convidado pra ser júri, então vamos aproveitar esse conhecimento do cara pra fazer outras coisas, como um seminário. Outros vão fazer oficinas, inclusive. Vai ter também uma amostra, as sessões da meia-noite com filmes de pessoas envolvidas no festival, inclusive, trabalhos ligados aos jurados e também se eles tiverem outros trabalhos como fotografias, uma instalação e tal... a gente quer fazer, diariamente, o que a gente vai chamar de “Hora Extra”... que é uma hora, entre as 18h e as 19h, entre uma sessão e outra, que as pessoas que tiveram seus filmes selecionados, curta ou longa, possam exibir qualquer outra coisa que tenham do seu trabalho.
Então, a gente quer aproveitar isso... o cara não vem só apresentar seu filme e passar os outros dias tomando cachaça... hehehe... cachaça se toma de noite... bah e tomam mesmo! Hehehehe

Mas a gente quer envolver os caras no festival como um todo, no dia-a-dia do festival, passar o dia todo fazendo o festival... e ai de noite nós vamos lá servir umas cachacinhas pra galera... hehehe.

Chica – Ah, eu vou estar lá certo!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Nei Lisboa e as Músicas Para Baixar

Chica – Nei, tu tá participando desse projeto, dessa proposta do Música Para Baixar. E tu tem uma carreira consolidada, um trabalho consagrado: qual a importância de estar participando do evento e como isso tudo influencia no seu trabalho?

Nei – Pra mim é importante como pra todo mundo estar atento a esse debate. Pra aprender, pra trocar, pra pensar juntos porque é uma coisa que ninguém sabe ainda pra onde vai, a gente tá vivendo um momento de muita mexida na distribuição de música e num todo que isso tá inserido. Uma passagem muito forte. A linguagem analógica pra digital, quase uma troca de universo, essa coisa da linguagem, da cultura, da comunicação das pessoas. Isso é uma coisa que já vem vindo, eu já tô interessado, posso não ser um militante da área, fico mais na minha assim, mas já venho mergulhando nisso faz um tempo. Mexendo bastante com meu site na internet, colocando coisas pra download, inventei um player que as pessoas baixam e escutam todos os meus CDs...

Chica – Liberou toda a obra?

Nei – Eu liberei na medida que legalmente isso era possível pra mim, tem essa forma: um playerzinho que, tanto conectado a internet, você ouve tudo. E isso é perfeitamente legal, pra isso eu tenho que pagar um Ecad até...

Chica – É mesmo?! O Ecad, nesse sentido, cobra do artista?

Nei – É, do artista. Na verdade é uma taxa pra qualquer site pessoal, não é nem institucional e muito menos comercial, pra tu ter música, qualquer música, na verdade eu tô liberado também pra rodar música de outros. Como o player é uma extensão do site, não tem uma classificação definida, toda essa legislação é muito nova, eu fico enquadrado dentro dessa taxa que, pra uma brincadeira que eu queria fazer é perfeitamente razoável, R$ 40,00 ao mês e ainda alardeio aos quatro ventos. Tô pagando Ecad, estou totalmente legalizado e achando brechas pro meu trabalho...

Chica – E tu sente o retorno disso?

Nei – Claro. Essa brincadeira já vem de um ano, lancei a primeira versão, agora a poucos meses lancei a segunda. Já tem mais de mils e mils downloads. Entre a primeira e a segunda tem uns 3 mil que baixaram. Tu monitora, acessa e tal. E agora essa segunda versão tem vídeo, uma central ao vivo também...

Chica – Mas tu já tá bem adiantadinho? Hahahah

Nei – Heheh, é muito maluco né. Dá pra fazer uma coisa bacana... Então, na verdade, buscando formas de distribuição, porque a indústria nessa derrocada que se meteu, um pouco o CD ainda sobrevive, um pouco tentando tardiamente achar um espaço, tomar conta do espaço virtual também com a venda via internet e tal. A indústria nessa locurama toda aí deixou de investir, o mínimo de intenção que houve na vida de investir em projetos mais culturais, de resgatar e tal, foi pro brejo. CDs antigos meus não são relançados. Tem gravadoras que faliram, a Paradox faliu e tem dois CDs meus que ela vai continuar dona, eu não posso fabricar e não vai jamais ser fabricado. Então a rede pra isso é uma alternativa sensacional, porque repõe catálogo imediatamente pro mundo inteiro...

Chica – Poisé, tu viveu essa fase das gravadoras e agora tá vivendo o começo desse outro universo. Pro músico, pro compositor, qual é a melhor?

Nei – Acho que os artistas, enquanto classe, a hora é agora de se antenar, marcar algum espaço, pra que as coisas no final da linha não reproduzam exatamente o que era antes. Era uma hegemonia, um poderio desmedido, truculento, de três, quatro multinacionais sobre o mercado e a distribuição e produção de música. Esse é o panorama dos tempos antigos e é inocência achar que isso não vá retornar, se remodelar e ter o mesmo gênero de poder dentro da rede. Acho que o que a gente pode é arrefecer um pouco essa violência, marcar espaços de liberdade para os quais a rede é muito propícia, a rede se move muito mais rápido que esse elefante da megalomania capital. Ela é propícia pra pequenas revoluções, pra gente manter uma liberdade, uma multiplicidade criativa. Porque toda essa questão de domínio de poucas e gigantes gravadoras não é só a violência econômica mas também estética, criativa, porque termina numa mesmice, uma mediocridade de um modo geral. Nivela por baixo a produção cultural. Então é preciso que a gente brigue em todos os sentidos: essa questão do direito autoral é super discutido, é delicado. Eu sou uma pessoa muito liberal nessa parte, mas sei que isso que funciona pra mim pode não funcionar pra outros. Há quem viva exclusivamente da atividade de compositor e não tem o lado do show que pra mim é o lado de remuneração.

Chica – E sobre esse I fórum MPB estar acontecendo aqui em Porto Algre, não é a primeira vez que nossa cidade recebe a primeira edição de um evento assim...

Nei – Dá saudades né, do Fórum Social... É sim, é muito importante, tem toda essa questão da legislação que é feita às pressas e alguma coisa fica debaixo do pano e defender interesses que a gente não sabe muito bem... Tem algumas coisas de mais urgência, e esse debate é sempre importante.

Chica – Mas é isso, então vamos fazer música. Não dá pra parar também né Nei...

Nei – Ah não, vamo lá! Eu tenho que cantar ainda aí.

Chica – Certo, valeu Nei, mais sucesso ainda pra você!

Nei – Obrigado, valeu.

Fernando Anitelli do Teatro Mágico e a música livre

Chica – Aí Fernando, um dos maiores apoiadores de toda essa história, fazendo sua parte aqui no MPB. Qual a importância desse fórum, dessas discussões pra música agora?

Fernando – Assim, é um fórum que já demorou pra acontecer na verdade. Porque há mais de 20 anos qualquer artista brasileiro ficava dependendo do bom humor de alguém de uma rádio, de uma televisão, tentar encaixar você numa programação. O artista sempre teve que comprar o espaço na mídia.
E aí a gente dependia dos caras e passou a ter essa prática do jabá...

Fã – Posso tirar uma foto contigo? (por um instante pensei que a Chica já estava famosa, mas não, não era comigo).

...Depois de um breve momento dedicado aos fãs...

Chica – Tem uma galera começando agora. Sobre esse novo formato, as novas tecnologias pra disseminar música, enfim. Quais são as principais vantagens pro artista, pro autor?

Fernando – As principais vantagens, todo mundo tem essa dúvida. O quê que o autor vai ganhar se ele não tá na estrada, se ele só compõe. Eu acho assim, antes de mais nada ele passa a existir, hoje. Antes de ter a internet ele nem existia. Ele podia compor o que fosse, ninguém jamais ia ouvir, da pessoa dele, do trabalho dele. Ele ia compor um monte de música e ia ficar engavetado. A possibilidade que a gente tem com uma ferramenta como essa, pra espalhar o material, é a pessoa ter o seu nome divulgado. Não é que a pessoa deixa de ganhar, têm propostas pra administrar isso daí. Existe o download remunerado, uma coisa que tem acontecido com a Trama e tem dado muito certo. Ali o autor também tá ganhando tranqüilamente. Existe a negociação dele com os grupos que vão interpretar as músicas dele. A gente faz isso por exemplo: eu componho a grande maioria das músicas do Teatro Mágico, mas tem 4 ou 5 músicas ali, umas do Danilo, um amigo meu, outras que fiz em parceria. Então o que a gente faz, a gente define um valor, divide num montante no fim do ano. Tem maneiras alternativas. Porque até então você era um cara que nem existia. Não tinha aonde divulgar, você tinha não onde gravar. Eu fui contratado pela Cascatas Records, ainda se fosse Cachoeiras! Mas não, era Cascatas mesmo. A gente tava gravando a oitava, nona música lá no estúdio, chegou o dono da gravadora e falou: “ó, muda tudo que agora o negócio vai ser forró universitário e ska... refaz a versão e tal”.

Chica – É mesmo?! O cara queria mudar o trabalho de vocês?

Fernando – É... “não vamos mudar”. Beleza, gaveta. Engavetou a gente. A gente não podia divulgar nem na internet, não podia gravar nada, só podia fazer show. Aí a gente teve que forjar um fim, pra gente poder fazer essa rescisão e tal. Então, eu acredito assim: é lógico que é um momento é diferente. Tinha um momento no planeta que tinha um cara que ganhava pra abrir um negocinho assim (apontando pro alto) e botar fogo na vela. Fechava, ia no outro lado da rua... Acabou. Outro cara inventou a luz elétrica. Acabou. Um exemplo: o cara que inventou o youtube, acabou com a MTV. O cara que inventou o youtube faz com que ninguém mais fique na frente da TV esperando aquele clipe, aquela música. Então a MTV teve que fazer o quê? Vamos fazer programa de auditório, chama a Daniella, isso, pega uma gostosa. Pega a Cicarelli botando homem e mulher pra beijar. Apela, apela. Então, assim, é lógico que a tecnologia vai trazer certos impasses. “Pô, mas e fulano? E o cara que escreve livro?”. Tem autores hoje que fazem o livro online, esse cara vai ganhar o quê, daonde? Porra! Cria-se. Às vezes a solução a gente não tem aqui agora a resposta, mas vamos caminhar pra isso, vamos tentar alguma coisa pra isso. A ideia é meio que dentro desse plano assim, sabe? Então acredito assim, pra todo mundo que tá começando, tem que ter um site, tem que ter a sua rede de amigos, de e-mails...

Chica – Isso que eu ia te perguntar, tem que ter?

Fernando – É irreversível. Ó, isso que a menina acabou de fazer: ela veio aqui me viu aqui do nada, tirou uma foto. Essa foto daqui a pouco tá no planeta. Caiu num cyberespaço, tá no mundo inteiro. Então assim, não tem como...

Chica – A dica pra galera então é se ligar mesmo?

Fernando – A dica é se ligar, buscar articular não somente virtualmente as suas redes de contato, também fisicamente: criando um festival, se encontrando com os artistas locais, falar com a prefeitura, com a escola, com faculdade, centros culturais. São espaços que dão oportunidade pra você mostrar o trabalho independente e tal, trabalhos autorais, quem tá cuidando desse teatro, enfim, é ir atrás disso aí fisicamente mesmo e no virtual, tudo que for possível. Site, site de relacionamento, música livre pra galera baixar. Até então se pagava R$ 40,00, R$50,00 num CD pra ouvir uma, duas músicas. E hoje não precisa mais. Aí o Elton John vem e diz que precisa parar com essa coisa de internet por uns 2 ou 3 anos porque isso tá acabando com os compositores, porque ele vendeu só 100 mil cópias do último trabalho dele. Porra, não é que tá acabando os compositores, tá surgindo um monte. Tá todo mundo vendo que não tem só o Elton John tocando piano, tem aquele moleque, tem aquele moleque, tem aquele moleque.

Chica – E porque você acha que as gravadoras não acabaram ainda?

Fernando – As gravadoras não acabaram ainda por uma simples questão (sinalzinho clássico de din din): elas têm uma economia fodida, gigante ainda. Mas quem não se ligou, já fechou. Quem se ligou, como a Trama, tá dando um jeito, procurando outras respostas e tal. As gravadoras brigam contra a pirataria. Há 15 anos atrás não era a gente que tava tocando uma fita K7 escrito “lentas”? Porra! Todo mundo fez isso. Se você faz isso hoje você é criminoso. Então espera aí, eu sempre fui criminoso e não sabia. A xerox do livro que a gente fazia na faculdade. O autor tá perdendo dinheiro com isso? O autor deixou de ser lido muitas vezes porque “pô, não vou comprar isso aí, vou pegar uma cópia de alguém”... Não tem como segurar...

Chica – Resumindo, o direito autoral vai ser sempre a questão mais delicada de toda essa discussão?

Fernando – O direito autoral vai ser a questão mais delicada justamente por isso: como esse autor pode receber? Várias ideias ficam passando, por exemplo: o Ecad arrecadou ano passado R$ 380 mi. Porra, imagina só: se você pegar todos os brasileiros que usam celular, se cada um na hora da compra pagasse R$ 2,00, daria muito mais que isso. Com essa grana, ele poderia baixar pelo celular o som que ele quer e aí sim, seria uma coisa muito mais transparente inclusive pra nós. Porque outro dia eu fui multado pelo Ecad porque eu toquei minhas músicas. Você tem que informar o Ecad 15 dias antes aonde você vai se apresentar e que música você vai tocar. Porque é uma lei que existe no Ecad desde quando ele foi criado, na época da ditadura. Todo mundo queria saber aonde você tava tocando e que música você tava tocando. Só que a lei não mudou e eu sou obrigado hoje a avisar com um mês, 15 dias de antecedência, onde e que música o Teatro Mágico vai tocar. Então assim, saber que existe uma lei que tá regendo essa relação hoje e ninguém faz nada... Então acho que a grande questão quando se fala em propriedade, em como o autor vai ganhar o direito autoral dele, é dentro desse espírito assim, de ir descobrindo, sabe? É um momento novo, uma tecnologia nova, vamos descobrindo. A gente não sabe, vamos arranjar soluções pra isso.

Amiga (dele, no caso) – Fernando, convida ela pra tomar uma? A gente vai pra Cidade Baixa.

Chica – Pois é, ia perguntar isso também. Tá cansado e vai pro hotel ou vai tomar cachaça?

Fernando – Vô tomá cachaça.

Chica – hahaha, vambora!